Manifesto de Plenitude para Criar Filhos

Em pequena ocupava o meu maior tempo livre a brincar de mãe. Quis saber todas as regras e cuidados a ter com um bebé de colo e cumpria escrupulosamente os horários de biberão, sesta, mudas de fralda… Pegava no meu filho ‘Nuno’ como se pega um bebé. Aos fins de semana, o Nuno vinha passear com a família. Fazia papa (cerelac misturado com água) e alimentava-o com toda a paciência e amor. Claro que o ‘chorão’ (nome do boneco) não engolia a comida, pelo que colocava a papa ‘ingerida’ num prato à parte e no fim da refeição lavava o seu rosto todo besuntado de cerelac.
Lembro-me (jamais esquecerei) de estar em casa da minha avó Fernanda sentada nos degraus da escada e a família (pais, tios e avô) estava na sala. Tinha o ‘Nuno’ ao colo e embalava-o enquanto cantava baixinho e o acarinhava. Estava a adormece-lo, era hora da sesta. Na sala estava muito barulho, por isso, afastei-me com ele e sentei-me nas escadas do hal de entrada. A minha avó aproximou-se (não sei há quanto tempo me observava), as palavras que me disse de seguida ficaram para sempre gravadas em mim:
– Que pena não dares às pessoas todo o amor e carinho que dás ao teu boneco. – Primeiro ruborizei. Como é que ela se atreve a chamar boneco ao meu filho? – pensei. Depois pensei melhor e algo em mim recebeu a sua mensagem. Mas a verdade é que também eu sentia que só o meu filho me amava incondicionalmente.
Passei grande parte da minha vida a brincar e a desejar ser mãe. Dizia que queria ser mãe cedo (graças a Deus que assim não foi). Mais tarde, fim da adolescência início da adultícea fui percebendo que ser mãe é uma missão de enorme responsabilidade. Que muito mais do que saber cuidar, tratar e até amar, é preciso Ser, Libertar e Respeitar. Ser para Educar. Fui afastando de mim o desejo da maternidade, porque quanto mais vivia mais distante me sentia da habilidade de desempenhar essa missão, de educar um Ser Humano.
Hoje sei que, quem nós somos e a forma como interagimos com o mundo são indicadores muito mais fortes de como os nossos filhos se vão sair do que aquilo que sabemos sobre educá-los.
Brené Brown, escreveu exatamente o que sinto, acredito e desejo construir.
(Tenhas ou não filhos sugiro a leitura deste manifesto que muito nos diz acerca de nós.)

MANIFESTO DE PLENITUDE PARA CRIAR FILHOS 

Antes de mais quero que saibas que és amado e amável. Vais aprender isto através das minhas palavras e ações – as lições sobre amor têm que ver com a forma como te trato e como me trato a mim mesma.
Quero que abordes o mundo sob a perspectiva do merecimento. Vais aprender que és digno de amor, pertença e alegria de cada vez que me vires praticar autocompaixão e aceitar as minhas próprias imperfeições.
Vamos praticar coragem na nossa família ao aparecermos, deixarmos que nos vejam e honrando a vulnerabilidade. Vamos partilhar as nossas histórias de dificuldades e força. Em nossa casa, haverá sempre espaço para ambos.
Vamos ensinar-te compaixão ao praticarmos compaixão primeiro connosco e depois uns com os outros. Vamos estabelecer e respeitar os limites; vamos honrar o trabalho árduo, a esperança e a perseverança. O descanso e a diversão serão valores familiares, bem como práticas familiares.
Vais aprender responsabilização e respeito ao ver-me cometer erros e corrigi-los, e vendo como peço aquilo de que preciso e falo sobre como me sinto.
Quero que conheças a alegria, para praticarmos a gratidão juntos. Quero que sintas tristeza, para juntos aprendermos a ser vulneráveis.
Quando a incerteza e a escassez surgirem, vais ser capaz de ir buscar forças ao espírito que é uma parte da tua vida diária. Juntos, vamos chorar e enfrentar o medo e o sofrimento. Eu vou querer fazer desaparecer a tua dor, mas, em vez disso, vou sentar-me contigo e ensinar-te a senti-la.
Vamos rir e cantar, e dançar e criar. Teremos sempre permissão para sermos nós próprios uns com os outros. Aconteça o que acontecer vais sempre pertencer aqui.
Ao começares a tua jornada de plenitude, a maior dádiva que te posso dar é viver e amar de todo o coração e ousar ser grande.
Não vou ensinar, ou amar ou mostrar-te nada na perfeição, mas vou deixar que me vejas e vou sempre considerar sagrada a dádiva de te ver a ti. Ver-te verdadeira e profundamente.
In A Coragem de Ser Imperfeito, Brené Brown
Diana Feliz (137 Posts)

Diana Feliz, Terapeuta e Mestre de Reiki e Karuna. Professora de Yoga na Associação de Yoga Integral de Portugal. Fundadora do projeto SERFeliz, um projeto que nasce do coração. É lá que encontramos a nossa felicidade. Tem como pilares principais as técnicas e ensinamentos de dois métodos complementares: o Reiki e o Yoga, para inspirar pessoas a viver vidas mais felizes.


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